Sombreamento parcial: por que uma sombra pequena derruba a string inteira
Um painel na sombra não perde só a parte dele — ele segura a corrente de todos os painéis da mesma string. Por que isso acontece, o que o intervalo de 5 minutos esconde e qual é a saída.
Um poste, uma antena, a chaminé do vizinho, um galho que cresceu. A sombra cobre um painel de uma string de doze — e o cliente liga reclamando que a geração caiu muito mais do que “um doze avos”. Ele não está exagerando: numa string, um painel na sombra puxa todos os outros para baixo junto com ele.
Por que um arrasta todos
Os painéis de uma string são ligados em série — a mesma corrente passa por todos, um atrás do outro, como carros num engarrafamento de pista única. E a corrente que um painel deixa passar depende de quanto sol ele recebe. Se onze painéis estão no sol e um está na sombra, o painel sombreado vira o carro mais lento da fila: a string inteira anda na velocidade dele.
Não é perda proporcional. Sombrear 1 painel de 12 pode derrubar a geração da string em 30%, 50%, às vezes mais — muito além dos ~8% que “um de doze” sugeriria. Existe um paliativo dentro do painel (os diodos de by-pass, que desviam a corrente ao redor da parte sombreada), mas eles trabalham por pedaços do painel e cobram o seu preço: a curva do sistema fica cheia de degraus, e parte da geração se perde mesmo assim.
O que o intervalo de 5 minutos esconde
Aqui entra uma armadilha de diagnóstico. Sombra de objeto — poste, antena — anda com o sol: cruza o painel em poucos minutos e vai embora. Se o seu monitoramento lê a cada 5 minutos, ele pega no máximo um ou dois pontos daquele mergulho — ou nenhum, se a sombra passou entre duas leituras. No gráfico, sobra um vale raso e curto que parece “uma nuvenzinha”, quando na verdade foi uma queda funda e repetida, todo santo dia, no mesmo horário.
O sintoma que denuncia sombreamento, e não nuvem, é a regularidade: a mesma mordida, no mesmo horário, dia após dia, mais funda no inverno (sol baixo, sombra longa). Nuvem é aleatória; sombra tem agenda. Quem cruza vários dias de geração no mesmo eixo de horário vê o padrão saltar aos olhos — é a diferença entre olhar um dia e olhar a semana empilhada.
A saída, e quando ela paga
Se o telhado tem sombra inevitável em parte do dia, a resposta é tirar aquele painel do “engarrafamento”: dar a ele eletrônica própria por módulo — um microinversor ou um otimizador. Aí o painel sombreado perde só o que é dele, e os outros onze seguem cheios. Num telhado limpo, sem sombra e sem quebra de orientação, isso não se paga; num telhado real, com chaminé, água virada para dois lados e a árvore do vizinho, costuma pagar — e é a diferença entre um cliente satisfeito e um chamado de garantia por mês.
Quem quer resolver isso painel a painel encontra os microinversores separados por faixa na Casa do Micro Inversor. E vale lembrar que a norma de comissionamento (a NBR 16274, referenciada pelo Inmetro) manda medir a curva de cada string na entrega — é justamente essa medição que pega o sombreamento na vistoria, antes de virar reclamação do cliente. As regras de conexão que enquadram tudo isso estão na ANEEL.